quarta-feira, 18 de junho de 2008

Os exames e as florzinhas de estufa

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Começou ontem a primeira fase dos exames nacionais. Como todos os anos, muito se escreveu e opinou sobre a pertinência de se fazer exames nacionais.

Um dos argumentos muito utilizados por quem discorda da existência dos exames é o desrespeito pelo trabalho desenvolvido pelo alunos ao longo de um ano lectivo inteiro (ou do ensino secundário), uma vez que é injusto destinar 30% da nota de candidatura de uma pessoa a umas duas horas (e meia, agora).

Permito-me transpôr o célebre pensamento de Sir Winston Churchill que definia o regime democrático não como perfeito mas como o melhor entre os existentes: entre as várias opções para uma pessoa se candidatar ao ensino superior, parece-me que a vigente não é perfeita mas é a melhor. Não é perfeita exclusivamente porque uma pessoa pode ter um "azar" e baixar drasticamente a sua média.

Mas é um sistema que permite, ao contrário daquilo que é muito defendido, ajustar algumas desigualdades em termos de exigência de ensino nas várias escolas. Vejamos: e se não houvesse exames?

Não havendo exames, qual seria o mote primordial das escolas? A exigência (que pode conduzir a muito bons resultados nos exames) ou a falta dela (por forma a dar notas o mais altas possível para que os seus alunos tivessem maiores probabilidades de entrar no ensino superior)? Sem exames, muitos dos colégios tornar-se-iam naquilo que é a maioria das universidades privadas: reduzida exigência e "notas fáceis" por forma a lançar para o mercado de trabalho - no caso das universidades - ou para o ensino superior - no caso dos colégio - pessoas com médias o mais altas possível.

Se existe um concurso nacional de acesso ao ensino superior, então deverá haver uma prova universal e homogénea para todos os candidatos a fim de garantir alguma igualdade (apesar de corresponder a apenas 30%) nas candidaturas.

Outro argumento utilizado por quem se opõe aos exames é o do stress e da pressão causados nos alunos. Pois devo então dizer que mesmo que não houvesse o factor de ajustamento das desigualdades da exigência de ensino nas várias escolas, já valeria a pena haver exames só por causa do dito stress e da tal pressão!

Sim! Seria absolutamente inaceitável uma pessoa estar a entrar numa faculdade e nunca ter feito um exame, e a três anos (na maioria dos casos) de entrar no mercado de trabalho e nunca ter sentido a menor sensação de stress, de exigência, de concorrência, de dar o máximo! Irritam-me esta sociedade e esta mentalidade de criar florzinhas de estufa, criancinhas que vivem numa redoma de vidro e que não podem ser apoquentadas com demasiado trabalho, com demasiada matéria para estudar; caso contrário lá virão os do costume alertar para os perigos do stress, dos nervos, das depressões, das poucas horas de sono, da instabilidade emocional, e tudo aquilo que esses senhores resolvem inventar... e que naturalmente recolhe apoios!

Sou, por isso, 100% favorável à existência de exames para a conclusão de cada ciclo de ensino - básico ou secundário -, isto é, nos 4º, 6º, 9º e 12º anos. Naturalmente que com graus diferentes de exigência, mas fortemente convicto de que a experiência na realização de exames o mais cedo possível criaria maior exigência e uma maior filtragem dos alunos realmente merecedores de aprovação para o ciclo seguinte seria feita.
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terça-feira, 17 de junho de 2008

domingo, 15 de junho de 2008

Quererão os europeus a Europa?

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Na sequência do chumbo do Tratado de Lisboa por parte da Irlanda, penso que os que defendem que a UE se mantém no impasse em que já se encontrava se enganam. Na verdade, penso que só veio denegrir ainda mais a situação. Pior do que um Governo cair por lhe ser apresentada uma moção de censura é este propôr uma moção de confiança e esta ser rejeitada. Parece-me que foi o que aconteceu...
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Ouvir a hipótese de a Irlanda vir a sair da UE é sinal de uma fragilidade imensa por parte da UE, uma vez que só mostra que a UE evolui "à força", excluindo os que estão contra certos aspectos e mantendo aqueles que se pronunciaram (por via parlamentar) favoravelmente pela Constituição Europeia disfarçada.
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Note-se que já a Constituição Europeia foi chumbada há uns anos (não tendo sido veiculada a hipótese de excluir a França e a Holanda da UE, como é óbvio) e agora é a vez do Tratado de Lisboa. Será que estão os europeus interessados na Europa? Será que a sentem como sua? Será que alguma vez perceberam a sua importância no quadro mundial?
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Se já dúvidas tinha sobre se ia chegar a ver a União avançar para uma federação (com uma série de especificidades) - como entendo que é a forma que faz sentido e que defendo a longo prazo -, de uma forma natural e não forçada, então agora parece-me que essa nem é uma questão para pôr em cima da mesa nos próximos tempos.
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Subscrevo grandemente a proposta do ex-primeiro-ministro belga Guy Verhofstadt no seu livro Estados Unidos da Europa, mas será que faz sentido querer avançar com um projecto europeu tão ambicioso quando aparentemente os seus cidadãos não o querem/não o entendem? Para quê assentar um projecto deste calibre em estacas tão pouco firmes?
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Aguardemos pelo Conselho de Assuntos Gerais de amanhã pelo Conselho Europeu do final da próxima semana para melhor avaliar a posição dos líderes europeus sobre o nosso futuro próximo...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

O povo e o futebol

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Confesso que não tenho grande paciência para estar 90 minutos a assistir a um jogo de futebol. Quanto muito assistirei à final do Euro caso Portugal lá chegue ou eventualmente a um jogo mais "empolgante" que Portugal trave até lá, mas, de resto, tenho apenas vindo a acompanhar os resultados da nossa selecção por aquilo que vou lendo.

Contudo, se um ponto forte de Portugal é o futebol, acho óptimo que se procure valorizar nessa área e tornar o futebol como uma "marca" do nosso País, a vários níveis. Por que não os jogadores serem como que "embaixadores" de Portugal?

Muito diferente já é a incrível obsessão que os Portugueses têm pela selecção nacional. É ridículo a RTP, a SIC e a TVI terem transmitido em directo todo o percurso que o autocarro da selecção fez até chegar ao aeroporto de Lisboa, para ir para a Suíça. É, aliás, uma injustiça para com os outros não menos vitoriosos desportistas Portugueses que muito nos têm orgulhado em diversas áreas.

Fico impávido a olhar para a televisão a ver a quantidade de pessoas a festejar, na rua, efusivamente a vitória de Portugal num jogo do Euro. Custa-me ver que as pessoas pensam que o futebol é quase o único orgulho que podemos ter por sermos Portugueses. Parece que o futebol não é mais do que uma religião politeísta, onde há um verdadeiro endeusamento dos jogadores...

Muito se escandaliza o povo com o facto de um alto quadro de uma empresa receber alguns milhares de euros mensais, mas já não se escandaliza com aquilo que um jogador ganha!
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Decerto que muito deve agradecer o eng. Sócrates que o povo se vá entretendo (o já velho "pão e circo") com o futebol, os tremoços e as cervejas e lhe vá passando um bocado ao lado todo o problema dos combustíveis e a crise internacional.
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Veremos se os Portugueses vão passar a agitar as bandeiras a partir das janelas dos autocarros em vez do seu próprio carro...
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terça-feira, 10 de junho de 2008

domingo, 8 de junho de 2008

Dança Comigo ou Operação Triunfo?

Agora que o fim desta edição do Dança Comigo se aproxima, fica a dúvida sobre qual será o programa de entretenimento da RTP1 a partir de Setembro.

Por mim, apostaria numa quarta edição da Operação Triunfo: desde logo, porque aprecio música manifestamente mais do que dança; depois, porque, de certo modo em consequência disso, se torna muito interessante ver as versões que os participantes da OT fazem das músicas que interpretam; e depois porque há toda uma sequência, uma evolução, com os participantes, o que não se verifica com o Dança Comigo.

Isto para além de a OT ser uma excelente rampa de lançamento para jovens prodígios que tenham alguma dificuldade em ganhar alguma notoriedade, dificuldade essa que não advém da falta de dotes.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Por outras palavras

Por outras palavras - Mafalda Veiga


Ninguém disse que os dias eram nossos
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre
mais uma madrugada

Ninguém disse que o riso nos pertence
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre
mais uma gargalhada

E deixar-me devorar pelos sentidos
E rasgar-me do mais fundo que há em mim
Emaranhar-me no mundo
e morrer por ser preciso
Nunca por chegar ao fim

Mafalda Veiga

terça-feira, 3 de junho de 2008

A liderança parlamentar

Em meu entender, o debate político deve ter lugar o mais possível na Assembleia da República. Se assim for, são os representantes do Povo Português que estão a desempenhar as suas funções e no local que é a Casa Mãe da Democracia.
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Felizmente, com os debates mensais instituídos pelo PM Durão Barroso (sendo Presidente da AR Mota Amaral) e, agora, mais recentemente, com os debates quinzenais, a discussão política vai estando cada vez mais focada na AR.
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Assim, é cada vez mais necessário para os Portugueses e proveitoso para os líderes partidários que estes sejam deputados. Marcelo Rebelo de Sousa não o era no tempo em que foi presidente do PSD e Luís Filipe Menezes também não. O primeiro foi conseguindo contornar esse problema com um excelente líder parlamentar, Luís Marques Mendes. O segundo, também fruto do medíocre grupo parlamentar de que dispunha, entregou a representação da bancada parlamentar ao homem que foi derrotado nas últimas legislativas.
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Não me parece, contudo, que para Manuela Ferreira Leite isto vá constituir problema de maior. Digo isto por dois motivos essenciais. Em primeiro lugar, não a tomo como particularmente triunfante em debates. É uma pessoa mais para agir, para actuar, para fazer ou para pensar à volta de uma mesa (ao estilo de Cavaco), do que propriamente para andar a discutir num plenário, local público, e, de certo modo, um antro de demagogia. Sócrates, hábil nesta "arte", arrumá-la-ia a um canto.
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O segundo motivo diz respeito àquela que me parece ser a melhor opção para líder parlamentar e a que MFL, penso, seguirá: José Pedro Aguiar-Branco. Desde logo, foi um dos responsáveis pela queda de Luís Filipe Menezes e foi, desde o início, um incontornável apoiante de MFL. Depois, foi ministro de Santana Lopes e foi seu cabeça-de-lista pelo Porto em 2005, pelo que permitirá fazer uma ponte importante com outra ala do PSD. É aguerrido, destemido (deu aquela forte entrevista à Visão no dia da demissão de Menezes), brilhante orador, tem crédito e provas dadas. Apesar do curto tempo que passou pelo Governo, conseguiu recolher algumas opiniões que lhe foram favoráveis, é uma pessoa com ideias para o País e com uma susbtancial participação cívica.
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Fala-se ainda em Marques Guedes - que já desempenhou estas funções no tempo de Marques Mendes -, mas julgo ser demasiado apagado, pouco aguerrido, jogando mais à defesa e não tanto ao ataque. Seria, a meu ver, uma péssima escolha para debater quinzenalmente com Sócrates.
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Melhor que Marques Guedes (mas pior que Aguiar-Branco) seria Paulo Rangel, de quem já falei aqui, defendendo os seus dotes como orador. No entanto, tem contra Aguiar-Branco o facto de ser menos conhecido, o que me parece particularmente penoso nestas circunstâncias uma vez que o rosto do PSD no Parlamento deve ser alguém que não seja um estranho aos Portugueses e para quem olhem sabendo que já teve um papel de relevo na política. Ainda que Rangel tenha sido secretário de Estado da Justiça, Aguiar-Branco foi ministro, o que, naturalmente, lhe dá maior credibilidade.
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Parece-me que Aguiar-Branco é uma opção excelente. Talvez das melhores que poderia haver, fosse qual fosse o grupo parlamentar. Conto que a sua ocupação profissional não o impeça de exercer estas funções que se revelarão essenciais para desenhar o resultado de 2009.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

As incorrecções dos provérbios

Recebi um email que dá conta da incorrecção de alguns provérbios, incorrecção essa que já está muito sedimentada na nossa Língua...

Em vez de: "Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho carpinteiro"
O correcto é: "Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro"!

Em vez de: "Quem tem boca vai a Roma."
O correcto é: "Quem tem boca vaia Roma." (mudando completamente o sentido)

Em vez de: "Quem não tem cão, caça com gato."
O correcto é: "Quem não tem cão, caça como gato..." (ou seja, sozinho!)

Em vez de ser ranhosa, a pobre da ovelha é ronhosa (de ronha).

sexta-feira, 30 de maio de 2008

"I got a crush on Obama"

Uma campanha à americana...

Voz de Leah Kauffman, criado por Ben Relles e representado pela modelo Amber Lee Ettinger. Uma bela peça!



Barack Obama:
I want to thank all of you for your time, your suggestions, your encouragement, and your prayers.
And I look forward to continuing our conversation in the weeks and months to come.

Obama Girl:
Hey B, it’s me. If you’re there, pick up.
I was just watching you on C-SPAN.
Anyway, call me back.

You seem to float onto the floor
Democratic Convention 2004
I never wanted anybody more
Than I want you
So I put down my Kerry sign
Knew I had to make you mine
So black and sexy you’re so fine
‘Cause I’ve got a crush on Obama

I cannot wait, 'til 2008
Baby you’re the best candidate
I like it when you get hard
On Hillary in debate
Why don't you pick up your phone?
'Cause I've got a crush on Obama
I cannot wait, 'til 2008
Baby you’re the best candidate
Of the new oval office
You’ll get your head of state
I can’t leave you alone
‘Cause I’ve got a crush on Obama

You’re into border security
Let’s break this border between you and me
Universal healthcare reform
It makes me warm
You tell the truth unlike the right
You can love but you can fight
You can Barack me tonight
I’ve got a crush on Obama

I cannot wait, 'til 2008
Baby you’re the best candidate
I like it when you get hard
On Hillary in debate
Why don't you pick up your phone?
'Cause I've got a crush on Obama
I cannot wait, 'til 2008
Baby you’re the best candidate
Of the new oval office
You’ll get your head of state
I can’t leave you alone
‘Cause I’ve got a crush on Obama

B to the A to the R-A-C-K-O-B-A-M-A
‘Cause I’ve got a crush on Obama

O Acordo Ortográfico no The Times


O Quarta República mostrou uma notícia publicada no jornal The Times, no dia 21, que passa uma péssima imagem do nosso País. Imagem essa que não é mais do que a descrição daquilo em que se traduz o célebre Acordo Ortográfico.

O jornal explica que "the Portuguese parliament voted last week to change its national language to reflect the more popular Brazilian Portuguese" e, citando Eric Hewett, linguista, afirma que "it is really remarkable that a European colonial power changes its spelling to match that of a colony".

"Not exactly the otimo scenario"...

quinta-feira, 29 de maio de 2008

A sucessão dos líderes

Desde que o prof. Cavaco Silva deixou a presidência do PSD, no início de 1995, o partido já teve Fernando Nogueira, Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso, Pedro Santana Lopes, Marques Mendes e Luís Filipe Menezes como presidentes da comissão política. E veremos quem será o(a) senhor(a) que se segue a partir do próximo sábado... Ou seja, em treze anos, o PSD terá sete líderes...
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Na Grã-Bretanha, Tony Blair, ao fim de dez anos como PM, abandonou as suas funções para Gordon Brown. Aquando da eleição que consagrou Tony Blair como líder dos Trabalhistas, muito se falou de quem seria o candidato: Blair ou Brown? Brown ficou dez anos à espera do seu momento. Um ano depois de o momento ter chegado, parece que a situação está mais negra do que nunca. Fala-se em forçar a saída de Gordon Brown da liderança do Partido Trabalhista e do Governo a fim de evitar um desaire nas legislativas como as eleições locais já apregoaram.
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Entre os possíveis sucessores de uma possível queda de Brown, o nome mais apontado é o de Jack Straw, um homem que já ocupou um largo rol de cargos na governação (actualmente é ministro da Justiça, mas já foi presidente da Câmara dos Comuns, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Ministro do Interior), nomeadamente no tempo de Tony Blair.
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Outros casos poderiam ser ilustrativos de uma realidade: a de que ao fim de um longo período com uma liderança forte, o partido tende a enfraquecer.
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Resta saber se é uma debilidade natural dos partidos, ou se é, para esses mesmo líderes, uma forma de serem sempre um D. Sebastião e acabarem por aparecer isolados na História como um foco centralizador de poder e de sucessos eleitorais.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Comprar os emigrantes com dinheiro público

Ao fim de três anos de governação, José Sócrates, ingenuamente, lembrou-se: "E se os ministros comemorassem com os emigrantes o Dia de Portugal?". Por mero acaso, José Sócrates lembrou-se disto para o último 10 de Junho antes das eleições de 2009 (as europeias são, regra geral, em Junho).
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Então, na sequência dos profundos laços de união nacional que Sócrates tanto aprecia, em jeito de ganhar uns quantos votos e de calar os emigrantes que se revoltaram contra o encerramento de uma série de consulados, o PM envia seis ministros e treze secretários de Estado.
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Os felizes contemplados com uma viagem naquela semana óptima para fazer um fim-de-semana prolongado são:
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- Rui Pereira, ministro da Administração Interna - Brasília, Brasil
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- Pinto Ribeiro, aquele que parecendo que não até é ministro da Cultura - São Paulo, Brasil
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- Mariano Gago, ministro da Ciência e do Ensino Superior - Venezuela
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- Alberto Costa, ministro da Justiça - Angola
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- Santos Silva, ministro dos Assuntos Parlamentares - Cabo Verde
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- Manuel Pinho, ministro da Economia - Espanha
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- António Braga, S.E. Comunidades Portuguesas - Moçambique
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- Fernando Serrasqueiro, S.E. Comércio e Defesa do Consumidor - África do Sul
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- Ascenso Simões, S.E. Desenvolvimento Rural e Florestas - Andorra
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- Costa Pina, S.E. Tesouro e Finanças - Alemanha
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- Laurentino Dias, S.E. Desporto - Suíça
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- Manuel Pizarro, S.E. Saúde - Argentina
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- Idália Moniz, S.E. Reabilitação - Holanda
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- João Tiago da Silveira, S.E. Justiça - Reino Unido
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- João Figueiredo, S.E. Administração Pública - Uruguai
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- Jorge Lacão, S.E. Presidência do Conselho de Ministros - EUA
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- Ana Paula Vitorino, S.E. Transportes - França
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- Pedro Marques, S.E. Segurança Social - Austrália
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- Jorge Pedreira, S.E. Educação - China
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O dinheiro que não se pouparia com dezanove viagens... E o Zé Povinho fica a ver o seu dinheiro a ser gasto assim! Os que hoje se revoltam com atitudes destas ao menos tenham a coerência de agir em conformidade com isso quando chegar o momento certo!

domingo, 25 de maio de 2008

Tomai, Senhor, e recebei


(Interpretado por Maria Durão e Luís Roquette)


Tomai, Senhor, e recebei
toda a minha liberdade,
a minha memória
e o meu entendimento,
toda a minha vontade
e tudo o que eu possuo;
Vós mo destes;
a Vós o restituo.
Tudo é vosso,
disponde,
pela vossa vontade.
Dai-me apenas, Senhor,
o vosso amor e graça,
que isso me basta.

St. Inácio de Loyola

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Um país "socialista" tem a maior desigualdade na distribuição de rendimentos

O Público deu hoje conta de um Relatório sobre a situação social na UE, que mostra que Portugal é o país da União com maior desigualdade na distribuição de rendimentos, chegando o nosso país a ultrapassar os EUA no que diz respeito à desigualdade.

Muito tenho ouvido dizer que "isto está a saque". E é bem verdade... E será que a política do Governo levada a cabo no sentido de privilegiar as grandes empresas e os grandes grupos económicos (na sequência, por exemplo, das grandes obras públicas referidas no post anterior) pode alguma vez contribuir para inverter esta situação?

O eng. Sócrates é um verdadeiro exemplo de um socialista frustrado. Um homem que apregoa os ideais socialistas, mas aplica os liberais, porque já percebeu que a parte teórica não pode ser solução para os problemas da actualidade. Mas vai mais longe, e leva esta sua incoerência ideológica ao extremo, sendo, oficialmente, um Primeiro-Ministro socialista, mas do País com a maior desigualdade na distribuição de rendimentos na UE.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

A relação qualidade/preço do Estado

A partir de hoje, os Portugueses vão começar a trabalhar para si próprios. Isto é, até hoje tudo o que os Portugueses receberam foi para pagar o montante respeitante aos seus impostos! Até meio do quinto mês do ano, portanto.
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Na Suécia, o chamado Dia da Libertação dos Impostos dar-se-á algures em Junho. Escandaloso? Talvez, mas só se for pela política que lhe está subjacente... Na verdade, naquele país, os impostos asseguram aos cidadãos todos os cuidados de saúde, acesso igual à instrução, transportes para a escola, reformas, assistência social, etc.. Tudo gratuitamente!
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Enfim, poderá ser discutível se é saudável o Estado ter uma função tão paternalista como na Suécia, mas uma coisa é certa: os contribuintes vêem os seus impostos bem aplicados e o dinheiro que pagam justificado!
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Em Portugal, trabalha-se até meados de Maio para ter listas de espera infindáveis nos hospitais públicos, uma reforma incerta, um sistema de educação não muito favorável, transportes cujo custo aumenta constantemente (acaba-se de saber que o Governo pondera aumentar o preço dos transportes a partir de Julho)...
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No limite, reconheço que é coerente cobrar tantos impostos como na Suécia mas o Estado assegurar tudo aquilo a que se compromete. Mas será lógico pagar uma fortuna em impostos para depois, não raras vezes, ter de se recorrer (quando se pode) ao sector privado nas mais variadas actividades? Pagar em duplicado porque o Estado não cumpre a sua parte?
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E perguntamo-nos: que respostas dá o Governo a esta problemática?
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Nenhuma! Quando se paga ao Estado para cumprir - pelo menos - as suas funções essenciais, este nada faz.
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Na Saúde, há umas semanas, ao fim de três anos de Governo, o PM vem dizer que é "lamentável" a situação das listas de espera nos hospitais e que é uma situação a estudar para que se possa apresentar propostas! É um ESCÂNDALO! Como já aqui alertei, como tem um homem o descaramento de ao fim de três anos de Governo ir à AR dizer uma barbaridade destas? Andam os Portugueses há anos à espera que chegue um Governo que resolva este problema e tem um governante o desplante de proferir tamanho insulto à dignidade e honra humanas? Note-se: só quando veio à "praça pública" a questão das viagens a Cuba para operações oftalmológicas é que o Governo reagiu às listas de espera! Bem-hajam, autarcas deste País!
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Na Educação, dá-se primazia à política dos rankings, das estatísticas, da via mais facilitista para melhorar a posição de Portugal na cena internacional quanto ao número relativo de Portugueses com o 12º ano terminado! O programa Novas Oportunidades é, para mim, uma vergonha nacional e uma palhaçada autêntica, em que se instrui por decreto!
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No Emprego, o Governo regozija-se com a diminuição da taxa de desemprego (isto é, o número relativo de Portugueses inscritos nos centros de emprego). Isto na véspera de o INE vir anunciar que dezenas de milhares de portugueses abandonaram os centros de emprego: ou por desistência ou por recusarem sucessivamente empregos. Independentemente disso, o lamentável é que a situação não está a evoluir a olhos vistos.
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Diria que estas são as três mais graves questões neste momento. E o que faz o Governo? Anuncia pontes, estradas, etc. Grandes obras públicas! Tudo em grande; contrário à situação do País! É absolutamente nojento e vergonhoso (repito: nojento e vergonhoso) ver que o Governo gastou 50.000€ na cerimónia do anúncio público do novo Hospital de Faro!
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O que mais me assusta é que o PSD, para cumprir a imperiosa e patriótica missão de retirar o eng. Sócrates do Governo, terá de ter, para além de uma figura de grande confiança e credibilidade, uma fortíssima máquina de marketing para face à estratégia imparável do eng. Sócrates. E isto começa a deixar de ser política, mas sim mera concorrência entre produtos!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Dez anos depois...




... a cidade continua sem dormir!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Outros postos

Após três meses e meio de blogosfera ininterrupta, fui tomando conhecimento de novos blogues ou, no limite, dando mais atenção a alguns que já conhecia. Alguns deles adiciono na coluna "Outros postos" do lado esquerdo. Apresento os novos postos por ordem alfabética:
  • 31 da Armada: um blogue bastante eclético, em parte fruto do seu elevado número de membros. Pauta-se sobretudo por pequenos posts, com pequenos comentários (muitas vezes irónicos) sobre acontecimentos da actualidade.
  • Atlântico: homónimo da revista (e também de um eixo importante na orientação do tipo de política externa), aborda essencialmente questões políticas - nacionais e internacionais.
  • Aqui há discussão: um blogue de estudantes da Faculdade de Direito do Porto que aborda variados temas, tendo-se sobretudo focado em questões políticas, em posts escritos com elevada qualidade (em termos de Língua Portuguesa e do próprio conteúdo). É um precioso fórum de discussão. Aconselho vivamente!
  • Cartoons jurídicos: da autoria de um estudante de Direito da Católica de Lisboa, membro de anteriores paragens minhas, ilustrando (literalmente) o seu bom humor e as suas capacidades de desenho.
  • O Diplomata: desconheço quem seja o seu autor, mas há-de ser uma pessoa com grandes conhecimentos na área da política externa, sendo sobre este tema que versa a grande maioria dos seus posts. Tem ainda a mais-valia de ter uma grande variedade de links.
  • Quarta República: com pelo menos cinco membros que estiveram na política activa (enquanto deputados à AR, secretários de Estado ou ministros), apresenta dados que nem sempre são do conhecimento geral e, sobretudo um blogger ou outro, tem insistido muito em questões sociais (naturalmente ao encontro de funções anteriormente desempenhadas).

terça-feira, 13 de maio de 2008

Também eu tenho direito ao nojo!

Manchete do Público:

"Sócrates e Pinho violaram proibição de fumar a bordo do voo de Lisboa para Caracas"
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"O filme de segurança foi claro a explicar que aquele era um voo de não-fumadores, as luzes de proibição de fumar mantiveram-se acesas durante todo o percurso de oito horas e no folheto de segurança era também claro e explicado em letras garrafais a proibição."
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"Entre alguns dos empresários ouvia-se em surdina frases de espanto e de critica. “O primeiro-ministro que restrigiu e bem o fumo em Portugal devia dar o exemplo. Isto é uma pouca vergonha”."
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"[João Raio, supervisor da TAP,] repetiu depois que nem ele [nem] o comandante tinham dúvidas de que era proibido e revelou saber que já em outras ocasiões o primeiro-ministro tinha fumado em voos TAP: “Acho que até já li nos jornais.”"
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"O PÚBLICO não viu, nem ouviu em nenhuma ocasião durante as oito horas de voo algum membro do gabinete do primeiro-ministro questionar fosse quem fosse sobre a possibilidade de se fumar a bordo, num voo onde foi sempre claro que tal era proibido."
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O que o deslumbramento pelo poder faz... Juro que não consigo perceber como é que o Eng. Sócrates consegue dormir de consciência tranquila!

Criar ou reciclar?

Amanhã, no CUPAV - Centro Universitário Padre António Vieira, vai decorrer um debate sobre os partidos políticos. Actualmente, no vigente estado de coisas, qual a solução: criar novos partidos ou renovar/reciclar os já existentes?

Para defender a primeira teoria estará Rui Marques, anterior Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas e fundador do recém-criado Movimento Esperança Portugal. Do outro lado, estará Filipe Anacoreta Correia, militante do CDS, e que criou, dentro deste partido, o movimento Alternativa e Responsabilidade.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Tu alinhas?

O nosso presidente do Instituto das Drogas e Toxicodependência (IDT) é bueda fixe, bueda próximo dos jovens... Curto bué dele!
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O dr. João Goulão lidera uma equipa que tem no seu site oficial (isto é, do Estado, pago por todos nós), um site infanto-juvenil, de seu nome Tu alinhas?. O que é que o "Tu alinhas?" inclui? Um dicionário! O dicionário de calão!
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Como presumo que os leitores deste blogue sejam todos uns nerds (a começar pelo seu autor), passo a explicar alguns conceitos in:
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Água: vem aí a polícia!
Bacalhau: injectar heroína
Betinho: aquele que não se droga; conservador e desinteressante
Dar na fruta: drogar-se
Prostituir-se: atacar
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Recorde-se que o IDT tem, como área de intervenção, entre outras, a formação. Aquele senhor, se tivesse o mínimo de pudor e de honra já tinha apresentado a sua demissão. Se a ministra da tutela também os tivesse, já teria intervindo. Se anda tudo calado, há-de haver algures um Primeiro-Ministro que, à partida, alerte para estas situações!
Ah! Deve ir a caminho da sua visita oficial à Venezuela... Na volta leva o dr. João Goulão para esses lados... Sítios sugestivos na matéria...

domingo, 11 de maio de 2008

Museu do Oriente

Já há bastante tempo encontrei em várias livrarias um livro chamado Portugal - Pioneiro da Globalização. Um título que sempre me chamou muito à atenção e que foi objecto de umas reflexões.

Há três dias foi inaugurado o Museu do Oriente, em Alcântara, que me parece entronizar a ideia descrita ao longo do dito livro. De facto, o legado que deixámos, por exemplo, na Índia, desde 1498, na China, desde 1514, e no Japão, desde 1543, não só consituiu uma forma de fazermos a nossa própria globalização (adaptada à época), como constitui hoje elemento regozijador para nós em relação ao nosso passado.

Mas também me espero poder regozijar com o futuro!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O (Des)acordo ortográfico

Entrará em vigor o novo Acordo Ortográfico. Devo dizer que uma pequena (ou não) diferença no dito "acordo" ditaria um voto favorável da minha parte no mesmo.
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Ora vejamos: apresentam-se, fundamentalmente, dois argumentos favoráveis ao Acordo:
  • não se justifica complicar a escrita portuguesa; isto é: porquê escrever "óptimo" quando não se lê o "p"?

  • a única forma de Portugal se afirmar na cena internacional é no quadro da UE e da CPLP, e quem vai conduzir o futuro da CPLP será o Brasil, pelo que a grafia deste país é a que deve prevalecer.

Quanto ao primeiro ponto, devo dizer que o tomo como absolutamente injustificado. Qualquer pessoa lê "absolutamente" e "absolutament" da mesma maneira, e não é por isso que a palavra "absolutamente" há-de deixar de ter o "e" no fim! "Xapéu" também pode parecer mais prático do que "chapéu" e não é por isso que se vai mudar a grafia da dita palavra! Para mim, o argumento de tirar letras que não se lê não pode ser fundamento para se aplicar o Acordo Ortográfico, ainda para mais quando o que está em causa não é simplificar a escrita, mas sim subordinar a escrita portuguesa à brasileira. O que, por acaso, se pode traduzir na dita "simplificação".

Concordo também com o facto de que a CPLP é, a par da UE, a organização em que Portugal tem potencialidades de se afirmar no mundo. Mais: reconhecendo, como se deve reconhecer, que o Brasil tomará as rédeas dessa comunidade, parece-me compreensível que a grafia da língua portuguesa a aplicar no mundo seja a do Brasil. Não me choca sobremaneira que um australiano que queira aprender Português escreva "Antônio" em vez de "António" (não obstante eu muito apreciar o acento agudo no meu nome); mas já me choca que em Portugal se queira impôr a grafia peculiar do Brasil, mesmo que apenas em algumas palavras!

Que complexo é este? Não têm os ingleses e os norte-americanos grafias distintas? Não vigora nas declarações internacionais o inglês dos EUA? Se sim - e compreensivelmente -, em que medida tem isso de obrigar os ingleses a escrever "realize" em detrimento de "realise" ou a dizer "sidewalk" em vez de "pavement"? Que sentido faz, daqui por uns anos, considerar-se "óptimo" como erro ortográfico?

A meu ver, a mudança é sempre bem-vinda, mas quando se sabe que há perspectivas de se verificar melhorias em certos aspectos. Não encontro uma única vantagem neste campo!

É um traço da nossa portugalidade que é, sem razão suficiente, apagado sem mais! Por isto, assinei aqui.

sábado, 3 de maio de 2008

O senhor que se segue...

Nas eleições locais do Reino Unido, do passado dia 1, o Partido Conservador, de David Cameron (na fotografia), obteve cerca de 45% dos votos, seguido do Partido Liberal-Democrata, com 25%, e só depois do Partido Trabalhista, de Gordon Brown (ou de Tony Blair), no Governo, com uns "humiliating" (como a imprensa britânica descreveu) 24%. Tão negativo resultado só se verificara nos anos 70...
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Talvez isto venha a provar que ser PM requer uma legitimidade directa por parte dos eleitores, e que não basta ser o sucessor "designado" por um PM, ainda que este seja muito popular. É o caso de Gordon Brown, que nunca tendo concorrido a eleições uma vez que foi empossado PM durante a legislatura que Tony Blair ganhou.
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E é o caso de outros políticos também ... o que talvez justifique que haja pessoas que sintam necessidade de justificar uma legitimidade que nunca lhes foi verdadeiramente reconhecida...

quinta-feira, 1 de maio de 2008