Há exactamente um ano terminei uma experiência de oração de 3 dias. Foi talvez das melhores preparações para estar em cheio para receber o nascimento de Jesus. Um ano depois, neste momento, aquilo que mais retenho daquela experiência é a Alegria - que me foi sendo posta à frente diariamente de mil e uma maneiras naquele fim-de-semana.
Numa troca de presentes entre amigos, tive a felicidade de receber um magnífico presente: Les Slogans de 68, de Jean-Philippe Legois.
O livro fala, naturalmente, do Maio de 68, e vem recheado de palavras de ordem da época, símbolo do calor revolucionário e do pendor sonhador que inevitavelmente lhe subjaz.
Perante tão amigável provocaçãozinha, não podia deixar de transcrever uns pares de citações:
- Soyons à la mesure de nos rêves.
- L’action ne doit pás être une réaction mais une création.
- Penser ensemble, non! Pousser ensemble, oui!
- Soyez realistes, demandez l’impossible!
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Nota: Este post vai acompanhado com um beijinho a quem de direito, pelo dia de hoje!
[Às vezes assusta como o ser humano se aproxima dos animais quando parece ser excessivamente institivo. Parece que olvida a sua componente racional, as little grey cells de que dispõe e a capacidade de maturação e ponderação que lhe foram atribuídas. E assusta sobretudo quando o instito nos faz esquecer de que dispomos dessas capacidades.
E assusta também (dado o desafio que é) sermos questionados sobre os nossos limites e a nossa resistência aos tais instintos.
Das duas uma: ou Santana Lopes ainda tem um peso no PSD tal que consegue condicionar as decisões da uma comissão política nacional que jamais o apoiaria, ou então mordeu o isco dos seus adversários, que procuram vaticinar-lhe definitivamente o seu fim político. Mas a fénix renasce das cinzas...
Competentes, as pessoas levam a sério a sua função de cumprimento de (quase) todas as exigências natalícias dos seus amigos, familiares, conhecidos, pessoas-com-quem-mal-se-fala-mas-a-quem-é-simpático-oferecer-um-presente.
Organizadas, vão assinalando com um V os presentes já comprados e assim diminuindo a sua lista de afazeres.
Empenhadas, as pessoas passarão uns largos pares de dias enclausuradas em centros comerciais.
Generosas, fecharão os olhos à crise e aos investimentos familiares que não farão no próximo ano - de recessão - para contemplar cada singularidade que conheçam com um regalo natalício.
Felizes, dia 25 (ou dia 24, porque o dia de Natal é cada vez mais na sua própria véspera, e de preferência antes da meia-noite porque os petizes não se querem ir deitar sem antes receber os presentes) as pessoas abrirão os presentes prévia e criteriosiamente escolhidos por si mesmas.
Eis o Natal! De facto, vê-se mesmo que estamos no Advento! Já toda a gente se prepara para o Natal...
Parece que a História se inverteu, e afinal quem ficou fechado (por livre vontade) na praça do Campo Pequeno foram os próprios comunistas, durante um fim-de-semana inteiro! A única diferença é que não foram chacinados, como outrora estes haviam sugerido em relação à Direita Portuguesa em idos tempos.
Para além de se constatar que mais retrógados do que uma certa Direita do nosso País só mesmo os fidelíssimos comunistas ortodoxos, um dos assuntos muito abordados naquele congresso foi, como se sabe, a relação com o Bloco de Esquerda. A propósito deste partido, Jacinto Lucas Pires escreveu: "O que o BE escolhe é, portanto, manter-se enquanto partido-que-não-é-bem-um-partido, eterna "ovelha negra" do sistema (e microfone para os protestos com e sem razão), plataforma para todas as "ideias sem gravata"... (...) Querendo ser para sempre o partido "adolescente", o partido "rebelde", o "contra-partido", o BE revela-se afinal como um tremendo peso conservador." E termina com a pergunta: "Para quê escolher quem nunca está do lado da solução?".
Agora é vê-los - a todos - na abertura da temporada do Campo Pequeno de 2009! :)
O neuropediatra Nuno Lobo Antunes publicou recentemente um livro chamado SintoMuito, onde relata muitas das experiências que viveu enquanto médico. Ou, melhor dizendo, experiências que viveu enquanto homem, e que foram postas no seu caminho em virtude de ser médico.
O livro não aborda a componente clínica que subjaz a qualquer uma das doenças ali em causa, mas sim a perspectiva humana em momentos de dor - para o doente e para a sua família.
Para além disso, o tipo de escrita e a sua estrutura - pequenas histórias de 2/3 páginas - tornam o livro de leitura muito acessível.
A entrevista do Dr. Nuno Lobo Antunes à RTP a propósito deste livro pode ser vista aqui.
Não fui o primeiro nem o último a dizer que Obama facilmente desiludiria uma considerável parte do seu eleitorado. Falo daqueles que viam Obama como o arauto da paz do mundo, como se o cargo do Presidente dos EUA fosse o de Secretário-Geral da ONU, e como se as pessoas que Obama representasse fossem todos os cidadãos do mundo e não apenas os americanos (aqueles que, ao fim ao cabo, lhe poderão assegurar a reeleição).
Ontem foi oficializada a escolha do presidente eleito para sua Secretária de Estado - como já se falava há semanas, Hillary Clinton. Ora, o homem que defendia uma conversa serena com Ahmadinejad tem como chefe da diplomacia uma senhora que afirmou, aquando das primárias do Partido Democrata, que se fosse Presidente entraria em guerra com o Irão. De facto, Hillary Clinton não é presidente, mas presumo que as posições que ambos têm em relação a vários assuntos de política externa não serão exactamente coincidentes.
Por outro lado, Obama vai ver, na minha opinião, as decisões fulcrais da condução da política externa abandonarem a Casa Branca, e irem passando progressivamente para o Departamento de Estado e, em última instância, para a Fundação de Bill Clinton. Sim! Corre-se o "risco" de Bill Clinton ser um lobbista senior desta Administração, mediante pressões que lhe sejam feitas por políticos internacionais seus conhecidos.
Se Obama já ia ficar um pouco ofuscado em termos de política externa pelo seu vice-presidente, Hillary Clinton como Secretária de Estado só vai limitar ainda mais a sua visibilidade e o seu poder de facto na área internacional. É ela que conhece os líderes, é ela que tem a garantia de que seria um erro para Obama demiti-la (por qualquer eventualidade). É ela que tem de facto poder.
Os obamaníacos estranharão ainda que o Presidente eleito se tenha comprometido ontem "a investir e fazer crescer as forças armadas americanas, para que elas permaneçam “as mais fortes do planeta”".
Naturalmente que Obama teria de se render às inevitabilidades da realidade e ir abandonando o mundo de sonhos que ia sendo apregoado. E ainda bem que o faz! São essas as suas funções, e isso só deve tranquilizar o mundo. Mas nem todos votaram nele pensando assim...
David J. Rothkopf, ex-assessor do governo de Clinton, avaliava há umas semanas as escolhas de Obama dizendo que "esse é o modelo violino: segurar o poder com a mão esquerda e tocar a música com a direita".
O mundo tem hoje prioridades efémeras. Permitiu-se reger ao ritmo do mediatismo e do interesse momentâneo, orquestrados pela batuta simplória de um povo cada vez mais escolarizado, mas que parece cada vez menos verdadeiramente interessado pelo seu mundo.
Olhamos para trás e vemos o indescritível movimento que, deste lado do mundo, apoiava Timor, do outro lado, aquando da sua luta pela independência. Constatamos como funcionaram as campanhas de solidariedade pelas vítimas do tsunami no sudeste asiático há uns anos atrás (lembrar-se-ão ainda dos telefonemas que se podia fazer para angariar fundos?). Assistimos, mais recentemente, com preocupação, às hesitações do regime timorense, ainda débil e pouco maduro. Sensibilizámo-nos uns quantos dias com umas notícias que nos chegavam no Darfur, no Sudão, ao mesmo tempo que refastelados no sofá íamos ouvindo da televisão que tinham morrido na noite anterior “mais uns” soldados no Iraque… ou no Afeganistão… ou em muitos outros sítios possíveis no planeta. E – também porque envolveu a nossa presidência da UE – fomos acompanhando os problemas no Zimbabué.
Quem hoje ler as notícias, há-de pensar que todos estes problemas se solucionaram e que apenas temos dois problemas: um mundial – a crise financeira – e um nacional – a Educação. E vamo-nos também entretendo com os pitorescos episódios que muitos bons actores sociais-democratas vão fazendo questão de protagonizar. Nos últimos dias, até a crise financeira passou para segundo plano, dados os incidentes em Bombaim.
Como podem as lideranças mundiais querer resolver os conflitos à escala planetária quando se regem pela volatilidade dos interesses e pelas bandeiras passageiras do povo?
Palavras sábias de Bertold Brecht... . O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Não sabe que tudo na sua vida depende das decisões políticas. É tão desinformado que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política. Desconhece que da sua ignorância política - da alienação e da omissão - nascem a prostituição, a miséria, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político corrupto, vigarista e demagogo. .
Em mais uma saída espirituosa, Rodrigo Moita de Deus escreveu no 31 da Armada que "um presidente da república é um rei a recibos verdes. Os monárquicos são contra o trabalho precário. Defendem a integração do presidente no quadro."
Pela terceira vez no espaço de um ano, José Sócrates encontrou-se com o Presidente da República Bolivariana da Venezuela, o senhor Hugo Chavez.
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Hoje, na FIL, os Governos de Portugal e da Venezuela assinaram uma série de acordos em variadíssimos domínios, nomeadamente depois de Chavez ter aparecido nas televisões com um pequeno Magalhães nas mãos, elogiando-o, como se fosse uma menina da TV Cabo.
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Devo dizer que me sinto muitíssimo orgulhoso por ver alguma individualidade internacional a elogiar algo Português. Quando vi Chavez com um Magalhães na mão, apenas me consegui lembrar da aversão que aquele produto há-de causar nas sociedades ocidentais, depois de uma publicidade daquele género.
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Mas, sinceramente, não é nada com a qual nos devamos espantar. Portugal tem descortinado por completo que está integrado num quadro multilateral como a NATO, que tem acordos muito específicos com os EUA em vários domínios - nomeadamente da Defesa -, e que tem uma comunidade emigrante nos EUA não menos importante do que na Venezuela.
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As apostas da dupla Sócrates-Amado têm incidido e elogiado tudo o que é Chefe de Estado e Governo com pergaminhos de imoralidade e desonestidade política. José Eduardo dos Santos e Hugo Chavez personificam lindamente esse protótipo.
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De facto, percebe-se que Zapatero seja o melhor amigo europeu de Sócrates: coincidem quer ao nível de políticas de família quer ao nível da postura de indiferença em relação aos EUA. A Administração empossada em 2009 fará Portugal pagar a conta desta directriz política...
Manuel Alegre lamentou que a Juventude Socialista apenas fale de temas "que estão na moda", como é o caso dos "casamentos" homossexuais. É extremamente honroso olhar para um partido político - seja ele qual for - e verificar que há pessoas que, por terem um determinado estatuto, têm um desprendimento e uma independência tais que lhes permite intervir sobre os pontos que efectivamente entendem.
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Aquando da sua eleição como Secretário-Geral daquela organização, há uns meses, Duarte Cordeiro afirmou que os "casamentos" homossexuais eram uma questão "absolutamente prioritária" para a nova direcção da JS. Por seu lado, o Bloco de Esquerda e Os Verdes abriram esta sessão legislativa com iniciativas no sentido de avançar com os "casamentos" homossexuais, e, no caso do BE, de permitir também a adopção.
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Pergunto-me: no dia em que (se) o aborto estiver totalmente liberalizado, os "casamentos" homossexuais institucionalizados, a eutanásia em todas as circunstâncias possíveis implementada e as touradas extintas, quais vão ser as bandeiras da esquerda?
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Será que só aí é que vão de facto começar a trabalhar no sentido do desenvolvimento social?
A afirmação é de Manuel Maria Carrilho, ex-ministro da Cultura e actual embaixador de Portugal junto da UNESCO. Pena que não saiba que a Noruega não faz parte da UE...
Há umas semanas, na quarta maior cidade de um país da Europa central, um taxista, gentilmente, ajudava-nos a pôr e a tirar as malas no/do carro, para além de ainda ter a delicadeza de fechar a porta à minha mãe.
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No mesmo dia, na capital desse mesmo país, um outro taxista permanecia dentro do seu carro enquanto nós colocávamos a bagagem no porta-bagagens e íamos entrando no taxi.
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Infelizmente, vê-se que a tendência actual e proeminente é a segunda. Parece que - neste caso os taxistas - sentem que este tipo de simpatia é um acto de subserviência perante a outra pessoa e, sofrendo de um certo complexo de inferioridade social, sentem a necessidade de se afirmar desta forma pouco digna.
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Tende muitíssimo a confundir-se cortesia com subjugação e educação com formalidade.
Perante o comunicado da Presidência da República sobre as declarações do ministro da Administração Interna só restam duas alternativas: ou o próprio ministro toma a iniciativa de pôr o lugar à disposição ou o primeiro-ministro o demite..
Após um mês de reclusão, a líder da Oposição "despejou" grande parte daquilo que tinha a dizer em relação à actuação do Governo nos últimos tempos.
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Cumpre-se lembrar que da mesma forma que o Governo de um País não se compadece com um primeiro-ministro que apenas algumas semanas depois de recorrentes incidentes de insegurança se pronuncia, também não será aceitável que uma candidata a essas funções actue de forma semelhante. .
Quanto ao discurso, parece-me que MFL foi incisiva nos principais pontos: democraticidade do actual Governo (de resto um tema para o qual já há muito tempo se havia alertado, nomeadamente durante a liderança de Marques Mendes, com o brilhante discurso da "asfixia democrática" de Paulo Rangel, hoje líder parlamentar), a Economia (PME's, agricultura e emprego), a Saúde e a Segurança. .
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, na sua linha básica de previsibilidade e de falta de independência política, lá veio dizer que tinha sido um discurso do "bota-abaixo", sem propostas. Bom, desde logo, nem me parece que a Universidade de Verão tivesse de ser um local para se dissertar sobre propostas do PSD para cada uma das áreas que MFL abordou. A lógica deveria ser (e, efectivamente, foi) a de fazer uma análise geral à actuação do Governo.
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Penso que MFL esteve bem no conteúdo (menos bem na forma de o expôr, mas é o menos relevante para a questão) e manteve alguma elevação no debate político. Com esta rentrée, espera-se que a sua postura seja mais activa - não "falar por falar", mas falar sempre que é preciso!
É pau, é pedra, é o fim do caminho É um resto de toco, é um pouco sozinho É um caco de vidro, é a vida, é o sol É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol É peroba no campo, é o nó da madeira Caingá candeia, é o matita-pereira É madeira de vento, tombo da ribanceira É o mistério profundo, é o queira ou não queira É o vento ventando, é o fim da ladeira É a viga, é o vão, festa da cumeeira É a chuva chovendo, é conversa ribeira Das águas de março, é o fim da canseira É o pé, é o chão, é a marcha estradeira Passarinho na mão, pedra de atiradeira É uma ave no céu, é uma ave no chão É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão É o fundo do poço, é o fim do caminho No rosto um desgosto, é um pouco sozinho É um estepe, é um prego, é uma conta, é um conto É um pingo pingando, é uma conta, é um ponto É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando É a luz da manha, é o tijolo chegando É a lenha, é o dia, é o fim da picada É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada É o projeto da casa, é o corpo na cama É o carro enguiçado, é a lama, é a lama É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã É um resto de mato na luz da manhã São as águas de março fechando o verão É a promessa de vida no teu coração É uma cobra, é um pau, é João, é José É um espinho na mão, é um corte no pé São as águas de março fechando o verão É a promessa de vida no teu coração É pau, é pedra, é o fim do caminho É um resto de toco, é um pouco sozinho É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã