segunda-feira, 31 de março de 2008

O que faz o Presidente da República?

A propósito do segundo aniversário da sua tomada de posse, o Presidente da República criou no site da Presidência uma apresentação multimédia a que deu o nome de "Os Dias do Presidente", onde se procura mostrar um pouco do trabalho do Chefe de Estado.

Parece-me um conceito interessantíssimo (condicente, de resto, com as grandes funcionalidades que o site apresenta), mas, na verdade, a concretização não me parece a melhor. Fica-se com uma ideia de Presidente corta-fitas e com uma opinião de que o cargo de Presidente da República é pouco exigente e sem relevância de maior para o País, denotando-se, inclusivamente, a dificuldade que Cavaco Silva tem em ser informal.

E sou insuspeito para dizer o que digo!

sábado, 29 de março de 2008

Carro no metro do Porto



Um motorista enganou-se e atravessou a ponte D. Luís (no pavimento superior, exclusivo para o metro), entrou no túnel, só percebendo estar no "caminho errado" ao chegar à estação S. Bento. O motorista, que nada sofreu, apenas achou que a pista "trepidava muito"!

O senhor, natural da Beira Alta, vinha visitar um familiar ao Porto. Como já não se deslocava a esta cidade há muitos anos, julgou que o percurso ainda se fazia pela Ponte D. Luís e, como era de madrugada, não se apercebeu da sinalização...

Foi filmado por todas as câmaras de segurança por onde passou, como mostra o vídeo.
Se não for verdade, é ao menos uma montagem interessante e não deixa de ser um episódio anedótico.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Os electrodomésticos de Sócrates

Há uns anos, um candidato a presidente de uma Câmara Municipal do País ofereceu electrodomésticos aos eleitores desse município.

Hoje, Sócrates, a um ano e meio das suas eleições, começa a oferecer os seus próprios electrodomésticos como se fossem seus, quando na verdade já os tinha tirado aos Portugueses. É aquilo a que se chama "comprar o voto", o eleitoralismo barato.


Nota: não que censure a medida (antes entendo que a política orçamental se deveria pautar pela diminuição das despesas e não pelo aumento das receitas), mas censuro toda a hipocrisia de um Governo que pintou a situação o mais negra possível e agora a pinta o mais cor-de-rosa que pode, como se a situação actual fosse boa, sustentável e a ele tudo devêssemos agradecer.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Soneto

Para este poema fantástico e tão elucidativo, a musicalidade que melhor se enquadra e que melhor o enquadra:


(Não podem as palavras por Diogo Brito e Faro)


Não pode Amor por mais que as falas mude
exprimir quanto pesa ou quanto mede.
Se acaso a comoção falar concede
é tão mesquinho o tom que o desilude.

Busca no rosto a cor que mais o ajude,
magoado parecer aos olhos pede,
pois quando a fala a tudo o mais excede
não pode ser Amor com tal virtude.

Também eu das palavras me arreceio,
também sofro do mal sem saber onde
busque a expressão maior do meu anseio.

E acaso perde, o Amor que a fala esconde,
em verdade, em beleza, em doce enleio?
Olha bem os meus olhos, e responde.

António Gedeão

sexta-feira, 21 de março de 2008

Renovar a Mouraria


Foi criado o movimento Renovar a Mouraria com vista a alertar para o estado decadente em que aquele bairro histórico e emblemático de Lisboa, berço do fado, tem sido deixado cair.


Este movimento é composto por moradores, comerciantes e amigos do bairro e fizeram circular uma petição, que reclama a reabilitação dos prédios históricos, das ruas e praças, como o Largo de Pina Manique ou o Palácio da Rosa.

terça-feira, 18 de março de 2008

Coca-Cola = Leite ?

Na sequência do post anterior, foi-me perguntado se na verdade os CD's tinham um IVA de 21%; isto é, se eram considerados artigos de luxo, em vez de artigos de cultura - que, segundo o Código do IVA, estão incluídos nos bens essenciais e têm uma taxa de 5%.

É bem verdade!

Note-se que os livros são considerados artigos de cultura e, como tal, estão abrangidos por uma taxa de 5%. Faz-se uma excepção expressa aos livros e outras publicações "de carácter obsceno" (segundo a letra da lei) e também os CD's são excluídos deste regime.

É naturalmente grave cobrar a artigos de cultura um IVA de 21%, mas acima de tudo é profundamente lamentável verificar que:
  • Coca-Cola – 5%
  • Papel higiénico – 21%
    Detergente da máquina de lavar roupa – 21%

Será que é aceitável um pacote de leite ser sujeito à mesma taxa que uma Coca-Cola?

Passará pela cabeça de alguém tomar o papel higiénico como um produto de luxo?

E um mero detergente de lavar roupa?

É bem verdade que Portugal até tem rios (um pouco poluídos, de uma maneira geral), que até tem várias fontes (para onde as criancinhas gostam de ir tomar banho no Verão) e lagos (onde se passeiam patos e afins), mas será que não ir lavar a roupa ao rio/fonte/lago é um luxo nos dias de hoje?

domingo, 16 de março de 2008

É tudo política?

i) O Duarte toca guitarra e tem uma banda. Não tem paciência nenhuma para política: é uma seca ouvir aquelas histórias todas das greves, das pensões dos reformados, das filas de espera nos hospitais, das guerras entre os partidos…
O Duarte agora está indignadíssimo! Quando já recolheu o mínimo de condições para publicar o seu primeiro álbum, descobriu que os CD’s são considerados “artigos de luxo”, pelo que têm um IVA de 21% e não “artigos de cultura”, o que acarreta um IVA de apenas 5%! Significa que “eles” não estão a apostar na cultura e nos jovens talentos como deveriam! “Não há pachorra, pá!”

ii) A Mafalda está no 12º ano e vai fazer exames nacionais em Junho. Vão-lhe chegando informações a pouco e pouco, está sempre tudo a mudar, nunca ninguém sabe nada ao certo e parece-lhe tudo um bocado incoerente.
A Mafalda diz que para o ano nem tenciona votar nas três eleições que vamos ter porque quer mostrar como discorda do “sistema”.

iii) O Luís vive em Lisboa e tem um cão. Irrita-lhe o facto de ter um jardim mesmo ao pé de casa dele e este estar muitíssimo degradado! Paga impostos e depois “não põem isto em condições”! “Fazem estas coisas e há uns anos atrás ainda me vieram convidar para ser vogal da Junta de Freguesia! Devem estar a gozar comigo!”


Estes três casos procuram mostrar situações distintas (entre inúmeras) na nossa sociedade em relação à política. Sobre isto:
  • A política está presente em quase tudo aquilo que fazemos (não nos esqueçamos de que se legisla sobre quase todas as matérias)
  • A partir do momento em que há actividades nossas que se sentem afectadas por alterações na legislação, está a haver uma influência directa na nossa vida – o que acontece sempre, com os impostos, com alterações legislativas quanto à nossa actividade profissional, etc. – pelo que a política nos diz ainda mais respeito
  • Como é que alguém acha que pode tentar resolver aquilo que critica quando está de fora?

quinta-feira, 13 de março de 2008

Sete pecados do Governo

A propósito do terceiro aniversário do Governo do ainda primeiro-ministro José Sócrates, o ainda presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, apontou os sete pecados "sem direito a absolvição" deste Governo:
  • Frágil e incipiente crescimento económico
  • Desemprego
  • Desconfiança em relação a opções estratégicas (leia-se: o aeroporto)
  • Abandono de 2/3 do território nacional
  • Reforço do centralismo do Estado
  • Desqualificação da democracia Portuguesa
  • Insensibilidade social

Serão eles mortais?

segunda-feira, 10 de março de 2008

Uma diferença de estilo...

Francisco Rebelo de Andrade há uns anos...


(Pegadas na Areia)


... e ontem...


(Magicantasticamente - um tema bem animado, que lhe valeu praticamente um empate com Ricardo Soler, da 3ª Operação Triunfo)

sábado, 8 de março de 2008

Hey! Be positive!


«Não te inquietes com as dificuldades da vida, pelos seus altos e baixos, pelas suas decepções, pelo seu futuro mais ou menos sombrio.

Quer o que Deus quer.

Oferece-Lhe no meio das inquietações e dificuldades o sacrifício da tua alma simples, que aceita os desígnios da sua providência. Pouco importa que te consideres um frustrado e Deus te considera plenamente realizado, a Seu gosto.

Perde-te confiando cegamente nesse Deus que te quer e que chegará até ti, mesmo que nunca O vejas. Pensa que estás nas Suas mãos, tanto mais seguro, quanto mais decaído e triste te encontres.

Vive feliz. Vive em paz. Que nada seja capaz de tirar-te a paz. Nem o teu cansaço. Nem as tuas falhas. E no fundo do teu coração coloca tudo aquilo que te enche de paz.

Por isso, quanto te sintas desanimado e triste, adora e confia.»

Teilhard de Chardin

quinta-feira, 6 de março de 2008

"Concorda com a despenalização do fumo em locais públicos, se realizado por opção do fumador maior de idade ou emancipado?"

Não obstante concordar de um modo geral com a nova lei do tabaco (salvo algumas incongruências), achei absolutamente hilariante um texto que li num blogue, escrito por uma rapariga/senhora (visto que não tenho o gosto de conhecer) chamada Catarina Almeida:
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«O Presidente da República Portuguesa convocou hoje o referendo à despenalização do fumo em locais públicos, depois de o Tribunal Constitucional se ter pronunciado favoravelmente à pergunta: "Concorda com a despenalização do fumo em locais públicos, se realizado por opção do fumador maior de idade ou emancipado?".

Desde 2008, conhecem-se 130 processos terminados, com 344 arguidos (todos de baixos rendimentos) e 103 condenações. Segundo a análise feita pelos deputados que requereram o referendo, a maioria dos fumadores julgados tinha entre 35 e 50 anos e fumava por prazer. Conhece-se agora o primeiro movimento a favor da despenalização, “Sim, Fumamos!”. No documento constitutivo do movimento, que reúne fumadores de vários quadrantes políticos, partidários e culturais, lê-se: "Os julgamentos de Lisboa, Coimbra e Braga são exemplos da ineficácia da actual lei – não evita que se fume e coloca os fumadores numa posição desumana de penalização e humilhação."

Aquando da elaboração da lei, o Governo de Sócrates afirmou ter em conta sobretudo a prevenção do tabagismo, proibindo-o, protegendo assim a sociedade, principalmente os cidadãos mais vulneráveis. "É vergonhosa a condição a que nós, fumadores, somos remetidos. Empurram-nos para a barra do tribunal, abrindo espaço a que se criem espaços privados de higiene e condições. No entanto, aqueles que têm posses conseguem fumar sem ser importunados." Enquanto a actual lei se mantiver, acontecerão as denúncias e, como consequência, a investigação policial sobre fumadores e suas famílias. O tabagismo clandestino é um flagelo e um problema de saúde pública. (…)»
Catarina Almeida

terça-feira, 4 de março de 2008

"A Flauta Mágica" no São Carlos

Descobri que está no São Carlos uma adaptação, para crianças, d’“A Flauta Mágica”. Que ideia louvável!

domingo, 2 de março de 2008

Cavalheirismo: discriminação ou civismo?

É o cavalheirismo símbolo de algum machismo? Estará ele em desuso? Será sinal de falta de educação não atender aos seus preceitos?


Em bom rigor, alguns exemplos de cavalheirismo não têm origens muito consentâneas com a igualdade de géneros. Na verdade, segundo li em sítios diversos, o cuidado de deixar as senhoras passar em primeiro lugar surgiu na Idade Média, num hábito segundo o qual os homens as deixavam entrar primeiro noutra divisão para que, caso lá estivesse um inimigo, fossem elas as atacadas em primeiro lugar e os homens já se pudessem prevenir. Enfim, é uma história, e vale o que vale…

Acima de tudo, parece-me que o cavalheirismo se torna, analogamente ao protocolo ou às regras de etiqueta, numa forma de obviar e de universalizar comportamentos em certas situações. Isto é, à saída do elevador, p.e., estando um rapaz, um homem e uma senhora, sabemos de antemão que a senhora sairá primeiro, seguida do homem e depois do rapaz. Sabemo-lo porque determinadas “regras” já nos foram incutidas, regras essas que tornam mais práticas as nossas acções no dia-a-dia, evitando que, p.e., naquele caso, as pessoas ficassem eternamente a deliberar sobre a ordem de saída do elevador (se bem que, actualmente, isso vai acabando por acontecer por as pessoas irem flexibilizando estes hábitos).

O cavalheirismo (e entendo-o numa perspectiva de homem gentil, homem de bem) diz respeito não só às acções perante as senhoras. Educado, um gentleman cede a passagem a um outro homem ao atravessar uma porta, fala delicadamente (e não dando provas de “desasseio mental” – uma expressão que descobri e da qual fiquei fã), levanta-se para cumprimentar as pessoas (independentemente do sexo, naturalmente) e presta particular atenção a pessoas mais velhas ou mais frágeis.

O cavalheirismo é, antes de mais, uma convenção. Porque se convencionou desta forma, a sociedade foi enraizando estes costumes, que, actualmente, constituem regras de boa educação mas que vão vendo um abrandamento do seu cumprimento.
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Não é, para mim, uma formalidade ridícula. O cavalheirismo corresponde não só regras de boa educação, como também é fruto de toda uma tradição que constitui o nosso património enquanto seres humanos e que, como tal, deverá ser preservado.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Comentário Pepsodent

Num nível um pouco abaixo daquele que é desejável para a classe política, o Ministro da Agricultura, Jaime Silva, afirmou que “o Dr. Paulo Portas não pode branquear os casos Portucale e Casino de Lisboa como se estivesse na cadeira de um dentista.”

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

"A Sombra do Vento"

No Verão do ano passado li este livro.

Aparentamente, é um livro banalíssimo. No entanto, da mesma forma que ouvir uma dada música numa determinada circunstância tem um impacto e um sentido diferentes de noutra situação qualquer, também ter lido "A Sombra do Vento" quando li há-de ter conferido a este livro um carisma ainda mais especial.

Claro que poderia resumir aqui o livro. Enfim, a própria "A Sombra do Vento" é sobre um livro homónimo, mas como se me contassem a história d'"Os Maias" eu dificilmente iria a correr para o ir ler (visto que a sua mais-valia é o tipo de escrita, a ironia, o sarcasmo), também vou poupar os leitores deste blogue a essa eventual exposição.
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É um livro fortíssimo, que muito se desenrola sobre a força da Amizade e as consequências que dela advêm, e no qual se inclui o suspense criado por qualquer policial magnificamente escrito, sobretudo incidindo no conturbado período da guerra civil de Espanha e na encantadora cidade de Barcelona.
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E, estando tão bem escrito, torna-se naqueles livros perfeitamente devoráveis em pouco tempo, ansiando o desfecho da história, mas procurando, simultaneamente, ir saboreando aquelas páginas com o vagar que lhes é merecido.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Compreensão

Já tinha publicado este poema noutras paragens, mas resolvo reapresentá-lo, agora no Bazar.

Um ser amado que desilude.
Escrevi-lhe.
É impossível que não me responda
aquilo que eu me disse a mim mesma
em seu nome.

Os homens devem-nos
o que imaginamos que nos vão dar.
Pagar-lhes esta dívida.

Aceitar que sejam diferentes
das criaturas da nossa imaginação,
é imitar a renúncia de Deus.

Também eu sou diferente
daquilo que imagino ser.
Saber isto,
é perdoar.

Simone Weil

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Mais um prémio para um Português

O fotógrafo Miguel Lopes Barreira, do jornal Record, foi distinguido com um prémio World Press Photo 2007, com esta fotografia numa competição de bodyboard na Nazaré.

Ouvi numa conferência, há uns dias, o Presidente do Instituto Diplomático afirmar que, tendo Portugal os reduzidos pesos político e económico que tem, nos cumpre apostar fortemente na valiosíssima componente cultural do País. E que isto se traduza, por um lado, na valorização do nosso património e da nossa História, e, por outro, na potencialização dos nossos artistas e profissionais da cultura.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O barbeiro

«Um homem foi ao barbeiro para cortar o cabelo como sempre fazia. Começou a conversar com o barbeiro e conversaram sobre vários assuntos. A dada altura, começaram a falar sobre Deus... O barbeiro disse:

- "Eu não acredito que Deus exista como o senhor diz".

- "Por que diz isso?" – o cliente perguntou.

- "Bem, é muito simples: o senhor só precisa de sair à rua para ver que Deus não existe. Se Deus existisse, acha que existiriam tantas pessoas doentes? Existiriam crianças abandonadas? Se Deus existisse, não haveria dor ou sofrimento. Eu não consigo imaginar um Deus que permite todas essas coisas".

O cliente pensou por um momento, mas não quis dar uma resposta para prevenir uma discussão. O barbeiro terminou o seu trabalho e o cliente saiu. Nesse momento, viu um homem na rua com barba e cabelos longos. Parecia que já fazia algum tempo que não cortava o cabelo ou fazia a barba e parecia sujo. Então o cliente voltou para a barbearia e disse ao barbeiro:

- "Sabia uma coisa? Os barbeiros não existem!"

– "Como assim?" – perguntou o barbeiro. "Eu estou aqui e sou um barbeiro!"

– "Não!" – o cliente exclamou. "Eles não existem, porque se eles existissem não existiriam pessoas com barba e cabelos longos como aquele homem que está andando ali na rua."

– "Ah, mas barbeiros existem, o que acontece é que as pessoas não me procuram, e isso é uma opção delas! Não recorrem a mim ou porque não querem ou porque se vão desleixando…"

– "Exactamente!" – afirmou o cliente. "É justamente isso: Deus existe, o que acontece é que as pessoas não o procuram, o que é uma opção delas, e é por isso que há tanta dor e sofrimento no mundo".»


[autor desconhecido]



Talvez substituísse, nesta parte final, “por isso é que há tanta dor e sofrimento no mundo” por “por isso é que há tanta gente a não saber lidar com a dor e com o sofrimento no mundo e tanta gente a ter uma grande dificuldade em discernir aquilo que é bom e mau para elas e para os outros”.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Miradouro de São Pedro de Alcântara

Há cerca de quinze dias foi reaberto ao público o Miradouro de São Pedro de Alcântara, ao Príncipe Real. Considerá-lo-ia como dos sítios mais bonitos da cidade de Lisboa, pela sua vista: desde a Sé, passando pelo castelo de São Jorge, Mosteiro de São Vicente de Fora, igreja da Graça, igreja da Penha de França e por outros miradouros da cidade, até ao Marquês de Pombal.

O espaço, tendo sido reabilitado, encontra-se (ainda) em óptimo estado, com calçada portuguesa acabadinha de ser arranjada, árvores frondosas e, ainda, numa zona mais baixa, descendo umas escadas, um “lago”.


Para aquele reformulado miradouro/jardim, apresentaria duas sugestões (uma mais viável e uma mais utópica):

  • a primeira seria criar lá uma esplanada para evitar condenar o miradouro, daqui por uns tempos, a um subterfúgio qualquer da cidade, tentando, assim, assegurar-lhe alguma vida.
  • a segunda seria apenas concretizável quando formos um país rico e próspero: criar um teleférico que una o miradouro à zona do Castelo!

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Um cartão de visita pouco usual...

A imagem que se tem de Portugal - a começar por nós próprios, Portugueses - nem sempre é a melhor. Tende a encostar-se a um certo pessimismo e a uma redução do nosso País a algo que não é.


Há cerca de um ano, o jornalista Nicolau Santos, num artigo no Expresso, fez por enaltecer alguns pontos de que por vezes nos esquecemos e que convém que sejam reavivados...



"Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade de recém-nascidos do mundo, melhor que a média da União Europeia.

Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores. Mas onde outra é líder mundial na produção de feltros para chapéus. Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende para mais de meia centena de mercados. E que tem também outra empresa que concebeu um sistema através do qual você pode escolher, pelo seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.

Eu conheço um país que inventou um sistema biométrico de pagamentos nas bombas de gasolina e uma bilha de gás muito leve que já ganhou vários prémios internacionais. E que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, onde se fazem operações que não é possível fazer na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos. Que fez mesmo uma revolução no sistema financeiro e tem as melhores agências bancárias da Europa (três bancos nos cinco primeiros).

Eu conheço um país que está avançadíssimo na investigação da produção de energia através das ondas do mar. E que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para os clientes de toda a Europa por via informática.

Eu conheço um país que tem um conjunto de empresas que desenvolveram sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos a pequenas e médias empresas.

Eu conheço um país que conta com várias empresas a trabalhar para a NASA ou para outros clientes internacionais com o mesmo grau de exigência. Ou que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas. Ou que vai lançar um medicamento anti-epiléptico no mercado mundial. Ou que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça. Ou que produz um vinho que "bateu" em duas provas vários dos melhores vinhos espanhóis. E que conta já com um núcleo de várias empresas a trabalhar para a Agência Espacial Europeia. Ou que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamentos de cartões pré-pagos para telemóveis. E que está a construir ou já construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade um pouco por todo o mundo."

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

“Para o que é que me interessam as eleições nos Estados Unidos?”

A menos de um ano do dia das eleições presidenciais nos Estados Unidos (4 de Novembro deste ano), já a pré-campanha decorria por alguns dos Estados. Será compreensível que uma campanha eleitoral nos EUA requeira algum tempo, já que é um país com uma área cerca de 100 vezes superior à de Portugal e cerca de 30 vezes mais populoso. No entanto, o próprio sistema eleitoral é bem mais complexo e exige que o calendário tenha início muito mais cedo do que na maioria dos outros países do mundo.

Os EUA são a maior economia mundial devido aos seus recursos naturais (detêm ouro, petróleo, carvão e urânio), à sua produção agrícola (são os principais produtores mundiais de trigo, açúcar, milho e tabaco) e à sua indústria (são dos maiores exportadores de automóveis, aviões e produtos electrónicos). Isto faz dos EUA um país riquíssimo, beneficiado, neste sentido, pela extensão do seu território. Os EUA constituem o maior mercado de passageiros do sector aéreo e são vários os países que indexaram a sua moeda no dólar, sendo os mercados americanos indicadores da economia mundial. Como desde há décadas se diz, “quando os Estados Unidos espirram, o mundo constipa-se”.

A União Europeia é o maior parceiro económico dos EUA, a seguir ao Canadá e antecedendo o México, o Japão e a China. Em conjunto com a UE, os EUA representam 40% do comércio mundial e 10% da população mundial. Sublinhe-se: a UE e os EUA constituem quase metade do comércio do Mundo!


A acrescer a isto, os EUA são detentores de um imenso poderio militar e dão um importantíssimo contributo (inclusivamente financeiro) para a NATO – que é, de resto, a força militar já organizada e permanentemente pronta para actuar mais próxima da UE... Os EUA são um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, o que significa que possuem direito de veto sobre as deliberações apresentadas sobre as mais prementes questões da actuação da ONU na cena internacional. Vê-se, inclusivamente, o papel preponderante que os EUA têm aquando da escolha do Secretário-Geral daquela organização.

As eleições presidenciais nos EUA traduzem-se, portanto, em escolher quem será a pessoa que todos os dias terá à sua frente não só cerca de 300 milhões de habitantes norte-americanos, mas também os restantes milhões que desses 300 milhões acabam por depender: pelas decisões tomadas ao nível militar (recorde-se a influência das guerras no Médio Oriente no preço do petróleo -- gasolina -- orçamento familiar mensal em qualquer país dependente de petróleo); ao nível agrícola; ao nível financeiro; ao nível industrial. Não nos esqueçamos de que uma perda do poder de compra dos americanos se traduz numa diminuição do afluxo de turistas, o que é bem notório, por exemplo, em Portugal, país cuja principal indústria é o turismo e que recebe imensos norte-americanos anualmente.

Veja-se o exemplo do 11 de Setembro e a crise mundial que daí adveio.

É por isto que me parece importante que este processo vá sendo acompanhado pelas pessoas por uma questão de dever cívico de cidadãos que, no futuro, votarão em eleições em Portugal condicionados também, indirectamente, por estas eleições nos EUA.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O "Pai Nosso" invertido

Meu filho, que estás na terra,
preocupado, tentado, solitário,
Eu conheço perfeitamente o teu nome
e pronuncio-o como que santificando-o,
porque te amo.

Não, não estás só, mas habitado por Mim,
e juntos construímos este reino
de que irás ser o herdeiro.

Alegra-me que faças a Minha vontade,
porque a Minha vontade é que tu sejas feliz,
já que a glória de Deus é o homem vivo.

Conta sempre coMigo
e terás o pão para hoje, não te preocupes!

Só te peço que saibas repartir com o teu irmão.

Sabes que perdoo todas as tuas ofensas,
antes mesmo de te arrependeres;
por isso te peço que faças o mesmo
àqueles que te magoam a ti.

Para que nunca caias em tentação,
segura firme a Minha mão
e Eu livrar-te-ei do mal,
Meu querido filho.


Adaptado de Razões para viver, de José Luís Martín Descalzo

domingo, 10 de fevereiro de 2008

“Conta-me como foi” e a RTP1

No ano passado, estreou na RTP1 uma série chamada “Conta-me como foi”, ao Domingo à noite, depois do programa do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa e do Gato Fedorento, inspirada no original “Cuéntame como pasó”, de Espanha.

Nos últimos meses, salvo raras excepções (incluindo esta semana de férias), só tenho visto televisão ao Sábado à noite, caso esteja em casa, para ver a Operação Triunfo, e ao Domingo à noite, ainda que com menor regularidade, para ver o Gato Fedorento e o Conta-me como foi.

Este programa é, portanto, dos poucos para os quais eu possa ter opinião formada. Para além da componente de produção televisiva, que me ultrapassa um pouco, consigo achar imenso interesse à série. Desde logo, porque a narração dos episódios é feita segundo a visão da criança da família principal, o que, por vezes, através da sua ingenuidade, consegue imprimir alguma piada aos episódios. Em segundo lugar, enquadra-se numa época histórica com um forte pendor político, o que, pessoalmente, me atrai ainda mais à série. Depois, torna-se absolutamente hilariante fazer uma observação atenta de certos pormenores apontados nos vários episódios, no que toca à mentalidade, aos hábitos, ao nível cultural e de instrução apresentado por uma família de classe média-baixa, à resistência feita às inovações tecnológicas da altura e à própria forma de vestir ou às conversas mantidas.



Conta-me como foi” foi eleito o melhor programa de televisão portuguesa de 2007, apesar de ter tido sempre audiências baixíssimas. Por oposição, programas como “A Bela e o Mestre”, “Quinta das Celebridades” e o rol infindável de telenovelas básicas (nem todas assim serão, com certeza) que preenche os serões da SIC e da TVI surgem sempre nos tops das audiências.

Recentemente, a RTP1 voltou a apostar no “Quem Quer ser Milionário”, retomará o “Dança Comigo”, pôs no ar, na semana passada, uma mini-série sobre o regicídio e tem programas de comentário político e telejornais de qualidade.

Como canal generalista, a RTP1 tem conseguido ser suficientemente completa e abrangente, conciliando entretenimento com humor, cultura, conhecimento e informação de qualidade, e sabido ser um excelente canal público. Mantendo este nível, parece-me que talvez valha a pena sustentar um canal público como a RTP1.

Deus nos livre da eterna condenação à SIC, TVI & afins…

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Marcando desde já posição...

Li há uns dias na internet a seguinte anedota:

Um rapaz de 8 anos queria ganhar 100€ e rezou durante duas semanas a Deus. Como nada acontecia, resolveu mandar uma carta a Deus com o seu pedido.

Os CTT receberam uma carta endereçada para “Deus-Portugal' e resolveram entregá‑la ao Primeiro-Ministro.

José Sócrates ficou muito comovido com o pedido e resolveu mandar uma nota de 10€ para o rapaz, pois achou que 100€ eram muito dinheiro para uma criança tão pequena. O rapaz recebeu os 10€ e imediatamente se sentou para escrever a Deus uma carta de agradecimento:

Senhor,
Muito obrigado por me mandares o dinheiro que eu pedi. Contudo, notei que, por alguma razão, mo mandaste através do Primeiro‑Ministro José Sócrates e, como sempre, aquele malandro ficou com 90% do que era meu!