sábado, 30 de agosto de 2008

Há coisas que não se importam...

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É particularmente entusiasmante chegar a Lisboa ao final do dia e ter a belíssima vista da ponte 25 de Abril e de todo o desenho arquitectónico da capital, contornado com as luzes entretanto acesas. Penso que Lisboa é das cidades que oferece uma melhor vista quando estamos a aterrar.
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Mas fico sobretudo satisfeito por ver que aquela apregoada abissal diferença que existia há uns largos anos entre Lisboa e outras capitais (ou nem isso) europeias está de certo modo colmatada. Lisboa é uma verdadeira capital europeia. Fruto da globalização, tudo – ou quase tudo – o que se vende noutras cidades também se vende em Lisboa (e noutras cidades do País, mas prefiro falar daquilo que conheço melhor); as variadíssimas técnicas utilizadas para as mais diferentes tarefas também já estão internacionalizadas, e tudo isto nos coloca em pé de igualdade.
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O que nos difere, então? Diria que é o aproveitamento dos recursos naturais e patrimoniais. Sem dúvida que dado o nosso clima bem poderíamos potenciar mais as nossas esplanadas, os nossos espaços ao ar livre, dinamizando-os através da reabilitação de certas lojas e de edifícios, tornando-os pontos de interesse e de atracção.
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Haverá por certo muito a melhorar para que estejamos ao nível de certas cidades, mas isso é algo possível: é uma questão de adoptarmos algumas técnicas estrangeiras… Só tenho as minhas dúvidas sobre se os outros países vão conseguir adoptar a simpatia lusa ou o nosso clima fenomenal!
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2 comentários:

Tiago disse...

António, está um texto digno de quem acaba de voltar à sua cidade/país e traz a alegria de quem regressa a casa! Mas deixa-me, meu caro, discordar em alguns pontos: Lisboa nunca foi tão atrasada como, por razões político-ideológicas, muitas vezes se dizia e acabou por passar para a consciência colectiva macional. Não ser espelho de uma total globalização ou de marcas americanas e outras não é essencialmente mau, apesar de agora já o sermos. No fundo, o que te quero dizer é que sempre tivemos antiguidade e grandeza geográfica e patrimonial (e são estas características que permitem "avaliar" a relevância de uma cidade, não propriamente as marcas e empresas que amanhã podem já ter desaparecido, embora dêem notícias do estado da economia) muito mais do que suficientes para estar em equiparação com as demais capitais e grandes cidades europeias...e não me refiro só a Lisboa, mas também a Coimbra, às colossais cidades perdidas do império como Lourenço Marques, Nova Lisboa (consideradas por todos quantos as conheceram como colossos de modernidade, e brutalmente contrastantes com o território que as envolvia), etc, etc, etc. Convém não esquecer nada disto. Nem o esforço e, muito menos, o vigor alcançado.
Em relação ao que disseste logo no início do teu texto, não podemos estar mais de acordo! A par de Paris, Lisboa devia ser conhecida como a Cidade-Luz, tal é de facto a beleza que nos proporciona a horas tardias!
E claro, ter o Hard Rock Café ou qualquer outra dessas marcas universais contemporâneas não deixa de ser um prazer e uma mais-valia, no entanto, não são elas que fazem Lisboa(tal como não fazem Bruxelas, que nem sequer tem Hard Rock, e que não deixa de se considerar o coração da Europa por isso...embora também os considere demasiado arrogantes com tal ideia)

Grande Abraço!
Tiago

P.S.-Ah, e é o que dizes...do que não se pode comprar, temos imensamente! Verdade essa que nos dá o cunho que ficou bem narrado na apresentação feita pelo português Pêro Vaz de Caminha a El-Rei D.Manuel...de uma simpatia, melodia, luminosidade e interesse pela novidade e pelos nativos que tinha de ser redigida por um nacional desta nação da primeira metade do século XII !

catarina b. disse...

É bom gostarmos da nossa cidade e termos orgulho nela! É exactamente isso que se passa comigo. Cada vez que passeio em Lisboa (seja de dia ou de noite) descubro mais razões para gostar tanto da cidade onde vivo.. Lisboa tem características topográficas, paisagístcas, climáticas, etc, que a tornam numa cidade com uma magia especial. Sabe sempre bem andar pela baixa, por toda aquela articulação de praças cheias de vida, por ruas também elas cheias de vida. É uma sucessão de espaços confortáveis e convidativos! O mesmo se pode dizer de um passeio à beira rio.. alternado de zonas de construção urbana e de zonas mais verdes. É sempre uma sensação de liberdade tão grande, de que nem todas as cidades se podem orgulhar! Lisboa é definitivamente uma cidade com luz, como dizias antonio! Não só à noite, mas também durante o dia!
Não sei bem como era antes mas nos dias de hoje, não acho, de todo, que Lisboa esteja atrasada relativamente a outras cidades europeias!
Claro que há imensa coisa que poderia ser melhorada... Custa-me, por exemplo, passar pela avenida da liberdade, que até é uma avenida agradável, larga, com um certo desafogo entre um lado e o outro, uma permeabilidade confortavel, verde, que supostamente possibilitaria tanto o passeio como a estada e ver que quando começa a escurecer uma das nossas principais avenidas fica deserta. Custa-me passar pela avenida da republica e perceber que outra das nossas principais avenidas não é nada.. não tem vida urbana! É um conjunto de prédios de escritórios e habitação (se é que se pode chamar àquilo conjunto, já que está cada um construído d sua forma e feitio sem o menor cuidado com o que se passa ao lado) com uns cafés por baixo que fecham à hora d jantar; já para não falar na dificuldade que é atravessar dum lado po otro da avenida! Parece uma avenida feita para o trânsito, que consequentemente provoca no fruidor uma enorme confusão de sensações... É uma ideia que não passa quando se passeia pelas principais avenidas e praças de madrid, por exemplo, que é já aqui ao lado e tem caracteristicas tão diferentes!
Sinto que cada vez se constrói mais coisas em Lisboa e se reflecte menos sobre o que já existe... Talvez Lisboa ganhasse muito em tratar de certos espaços e fazê-los renascer como espaços urbanos em vez d os deixar apodrecer como um resto de um espaço que um dia se sonhou e que acabou por morrer por falta de cuidado!
Cabe a todos os lisboetas contribuir para a vida da sua cidade, que, só por si, já tem tanta coisa para mostrar, para viver.....