segunda-feira, 24 de março de 2008

Soneto

Para este poema fantástico e tão elucidativo, a musicalidade que melhor se enquadra e que melhor o enquadra:


(Não podem as palavras por Diogo Brito e Faro)


Não pode Amor por mais que as falas mude
exprimir quanto pesa ou quanto mede.
Se acaso a comoção falar concede
é tão mesquinho o tom que o desilude.

Busca no rosto a cor que mais o ajude,
magoado parecer aos olhos pede,
pois quando a fala a tudo o mais excede
não pode ser Amor com tal virtude.

Também eu das palavras me arreceio,
também sofro do mal sem saber onde
busque a expressão maior do meu anseio.

E acaso perde, o Amor que a fala esconde,
em verdade, em beleza, em doce enleio?
Olha bem os meus olhos, e responde.

António Gedeão

3 comentários:

Anónimo disse...

Não pode o amor exprimir quanto pesa ou quanto mede......

Sara disse...

Cá está ele... e ela (a música)! Alguém sabe se o poema já tinha tido outra interpretação?

ASL disse...

Se já a teve, desconheço-a...