segunda-feira, 23 de junho de 2008

Rescaldo de Guimarães

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Na nova Comissão Política, Manuela Ferreira Leite inclui notáveis como Rui Rio (seu número 2), José Pedro Aguiar-Branco ou António Borges (que finalmente começa a ter um papel de maior destaque na política portuguesa), mas também personalidades de menor conhecimento público, mas nem por isso de menor reconhecimento nas suas áreas de trabalho: Paulo Mota Pinto, ex-juiz do Tribunal Constitucional, Sofia Galvão, advogada e ex-secretária de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e da Administração Pública, e Manuel Castro Almeida, ex-secretário de Estado da Educação e actual presidente da Câmara de São João da Madeira.
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Penso que foi conseguida uma boa junção entre a larga experiência política de alguns e um fortíssimo contacto com a sociedade civil de outros. A escolha de Marques Guedes para secretário-geral parece-me muito positiva. Este ex-vice-presidente da Câmara de Cascais e ex-líder parlamentar do PSD, pela sua discrição, capacidade de diálogo e experiência de trabalho com variadíssimas lideranças do PSD, apresenta-se como um importante elo entre esta direcção e as restantes correntes existentes no partido.
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Confirmando a tendência que foi vindo a ser crescente da indigitação de Paulo Rangel para a presidência do grupo parlamentar do PSD, parece-me que Sócrates estará de certo modo tranquilo, uma vez que se baterá quinzenalmente com um homem que foi durante meia dúzia de meses secretário de Estado e é deputado há três anos.
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No entanto, como aqui já expus, Paulo Rangel é, a meu ver, um excelente orador, nada demagógico, incisivo no discurso e mordaz no ataque. Como se quer, de resto, para a oposição. Como também escrevi, a minha preferência para aquele cargo ia para outro deputado, mas Paulo Rangel não é, sem a menor sombra de dúvida, um "mal menor". É, de resto, exemplo da renovação geracional que se vai verificando na nova equipa directiva do PSD.
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Parece-me que o PSD sai do congresso de Guimarães muitíssimo mais forte e com uma nova cara: com a imagem de um PSD verdadeiro, mais voltado para a sociedade civil, para a classe média, como um partido sério e credível, assumindo-se - agora sim - como uma verdadeira alternativa de Governo.
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4 comentários:

Gonçalo disse...

Gostei do post!

l.romao disse...

O Sr. Rangel pode é tornar o seu discurso um pouco mais acessível ao comum dos mortais que o povo não sobrevive com linguagem de jurista !

ASL disse...

L.Romão,

Concordo consigo! O discurso de Paulo Rangel é talvez um pouco reboscado demais para o "comum dos mortais". Será talvez um ponto que tem contra si, mas que poderá, decerto, contornar nas suas intervenções escritas.

Aproveito para acrescentar uma nota interessante que ontem li (penso que no Público), dando conta da ausência (pouco esperada) dos chamados barrosistas na nova CPN: Rui Rio, por ser um putativo candidato à liderança acaba por ser uma personalidade autónoma, António Borges não está conotado com nenhuma liderança, Aguiar-Branco será, quanto muito, "riosista", Paulo Mota Pinto é um estreante nas direcções partidárias, Sofia Galvão é muito próxima de Marcelo Rebelo de Sousa e Castro Almeida foi o porta-voz da ala anti-populista, no congresso de LF Menezes.

Em suma, parece-me que se encontrou uma excelente CPN, sem esquecer Morais Sarmento do Conselho de Jusridição Nacional e José Luís Arnaut no Gabinete de Relações Internacionais.

Tiago disse...

Foram boas notícias: esta vitória de Manuela Ferreira Leite(técnica, culta e educada) e a apresentação desta Comissão Política. Grande parte dos membros não são muito conhecidos, o que não é uma dificuldade mas antes um desafio. Significa que não rodam sempre os mesmos, há de facto várias linhas dentro de um mesmo partido, e que houve uma certa renovação. Tenho boa opinião de Marques Guedes, António Castel-Branco e de Castro e Almeida...fico à espera de uma verdadeira e forte alternativa política para o Governo da Nação. Até há pouco tempo desconhecia este deputado(não sigo particularmente o Parlamento menor que nos representa), porém fiquei com boa impressão de Paulo Rangel. Sério e culto, como se pretende.

Abraço,
Tiago