terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O início do flop

Não fui o primeiro nem o último a dizer que Obama facilmente desiludiria uma considerável parte do seu eleitorado. Falo daqueles que viam Obama como o arauto da paz do mundo, como se o cargo do Presidente dos EUA fosse o de Secretário-Geral da ONU, e como se as pessoas que Obama representasse fossem todos os cidadãos do mundo e não apenas os americanos (aqueles que, ao fim ao cabo, lhe poderão assegurar a reeleição).
Ontem foi oficializada a escolha do presidente eleito para sua Secretária de Estado - como já se falava há semanas, Hillary Clinton. Ora, o homem que defendia uma conversa serena com Ahmadinejad tem como chefe da diplomacia uma senhora que afirmou, aquando das primárias do Partido Democrata, que se fosse Presidente entraria em guerra com o Irão. De facto, Hillary Clinton não é presidente, mas presumo que as posições que ambos têm em relação a vários assuntos de política externa não serão exactamente coincidentes.
Por outro lado, Obama vai ver, na minha opinião, as decisões fulcrais da condução da política externa abandonarem a Casa Branca, e irem passando progressivamente para o Departamento de Estado e, em última instância, para a Fundação de Bill Clinton. Sim! Corre-se o "risco" de Bill Clinton ser um lobbista senior desta Administração, mediante pressões que lhe sejam feitas por políticos internacionais seus conhecidos.
Se Obama já ia ficar um pouco ofuscado em termos de política externa pelo seu vice-presidente, Hillary Clinton como Secretária de Estado só vai limitar ainda mais a sua visibilidade e o seu poder de facto na área internacional. É ela que conhece os líderes, é ela que tem a garantia de que seria um erro para Obama demiti-la (por qualquer eventualidade). É ela que tem de facto poder.
Os obamaníacos estranharão ainda que o Presidente eleito se tenha comprometido ontem "a investir e fazer crescer as forças armadas americanas, para que elas permaneçam “as mais fortes do planeta”".
Naturalmente que Obama teria de se render às inevitabilidades da realidade e ir abandonando o mundo de sonhos que ia sendo apregoado. E ainda bem que o faz! São essas as suas funções, e isso só deve tranquilizar o mundo. Mas nem todos votaram nele pensando assim...
David J. Rothkopf, ex-assessor do governo de Clinton, avaliava há umas semanas as escolhas de Obama dizendo que "esse é o modelo violino: segurar o poder com a mão esquerda e tocar a música com a direita".
Vamos ver quem vai na sua música...

2 comentários:

l.romao disse...

È verdade o que diz , mas não será necessariamente culpa da opinião pùblica em geral , mas sim da imagem que a própria comunicaçao social fez passar do candidato Obama.

Anónimo disse...

imagem essa que era conveniente ao candidato obama e que este não fez por desmentir.