quinta-feira, 29 de maio de 2008

A sucessão dos líderes

Desde que o prof. Cavaco Silva deixou a presidência do PSD, no início de 1995, o partido já teve Fernando Nogueira, Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso, Pedro Santana Lopes, Marques Mendes e Luís Filipe Menezes como presidentes da comissão política. E veremos quem será o(a) senhor(a) que se segue a partir do próximo sábado... Ou seja, em treze anos, o PSD terá sete líderes...
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Na Grã-Bretanha, Tony Blair, ao fim de dez anos como PM, abandonou as suas funções para Gordon Brown. Aquando da eleição que consagrou Tony Blair como líder dos Trabalhistas, muito se falou de quem seria o candidato: Blair ou Brown? Brown ficou dez anos à espera do seu momento. Um ano depois de o momento ter chegado, parece que a situação está mais negra do que nunca. Fala-se em forçar a saída de Gordon Brown da liderança do Partido Trabalhista e do Governo a fim de evitar um desaire nas legislativas como as eleições locais já apregoaram.
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Entre os possíveis sucessores de uma possível queda de Brown, o nome mais apontado é o de Jack Straw, um homem que já ocupou um largo rol de cargos na governação (actualmente é ministro da Justiça, mas já foi presidente da Câmara dos Comuns, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Ministro do Interior), nomeadamente no tempo de Tony Blair.
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Outros casos poderiam ser ilustrativos de uma realidade: a de que ao fim de um longo período com uma liderança forte, o partido tende a enfraquecer.
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Resta saber se é uma debilidade natural dos partidos, ou se é, para esses mesmo líderes, uma forma de serem sempre um D. Sebastião e acabarem por aparecer isolados na História como um foco centralizador de poder e de sucessos eleitorais.

1 comentário:

l.romao disse...

O caso de Cavaco Silva é claramente o de uma pessoa que utilizou o partido exclusivamente para poder exercer o poder ( o que nao censuro ). Se não tivesse de ter uma base partidária para ser primeiro-ministro, o prof. Cavaco por certo seria um candidato independente. É uma pessoa avessa à discussão, ao debate de ideias, e portanto o PSD ficou resumido, de 85 a 95 ao Governo. O PSD era o Governo, o Governo era o PSD. Quando o líder desta concentricidade sai, é óbvio que fica tudo perdido.
Acho que o que aconteceu não foi por Cavaco pensar "quero que isto fique da maneira X para todos perceberem como eu faço falta". Não que a ideia nao lhe agrade, mas parece-me que isto aconteceu por via das circunstancias, por Cavaco se dar melhor com aquele tipo de fazer politica ...